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		<title>O escultor de memórias</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 17:59:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Silvia Noara Paladino]]></category>

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		<description><![CDATA[Por SILVIA NOARA PALADINO Do avanço do tempo, originam-se novidades que envelhecem precocemente, todos os dias. Certas coisas, porém, parecem indiferentes à modernidade, às novas tendências da moda, à verticalização das cidades, à mobilidade tecnológica e aos produtos lights e diets que se alastram pelas prateleiras dos supermercados. Situada de frente para uma linha de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=317&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="Apple-style-span" style="font-family:Arial, sans-serif;">Por SILVIA NOARA PALADINO</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Do avanço do tempo, originam-se novidades que envelhecem precocemente, todos os dias. Certas coisas, porém, parecem indiferentes à modernidade, às novas tendências da moda, à verticalização das cidades, à mobilidade tecnológica e aos produtos lights e diets que se alastram pelas prateleiras dos supermercados.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Situada de frente para uma linha de trem desativada, que outrora transportava materiais para construção do cais do Porto de Santos, uma modesta casa de esquina, número 20, não tem campainha. Os muros descascados e o portão de grades estreitas, separadas por largos vãos, escondem pouco da entrada. Vasos de plantas e esculturas decoram os degraus da escada que leva à porta principal. Bato palmas – uma, duas, três vezes, aumentando de pouco em pouco a força do contato entre as mãos, como quem receia que não procurou direito a campanhia, e pensa: “deve estar em algum lugar por aqui&#8230;”</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Quem ouve o tímido chamado e atende à porta é Serafim Gonzáles, 72 anos, um senhor de barba e cabelos inteiramente brancos, pele clara e olhos de um azul agudo, gracioso. Parece ter sido interrompido, o que, de forma alguma, diminui a gentileza e disposição de anfitrião. Ator e artista plástico, Serafim vive em Santos desde a infância e, há 35 anos, mantém o mesmo endereço, junto à esposa Mara Antônia de Mello Franco Hussemann, que conheceu no ano de 1953.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Ao cruzar a entrada, sobre o taco de madeira, os saltos dos sapatos anunciam os passos e, então, avista-se cômodos integrados, sem portas ou divisórias que limitem o alcance do olhar para todo o espaço. Não há sala de estar, apenas um velho sofá de dois lugares, onde nos sentamos. De aparatos eletrônicos, somente uma televisão obsoleta de 14 polegadas e um telefone com fio. Quadros pregados às paredes mostram pinturas de rostos femininos, um violoncelo repousa em um canto seguro da parede e uma mesa serve de apoio para as esculturas formadas de arame e jornal, uma das técnicas dominadas pelo artista plástico.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Se lar é atelier, ou atelier é lar, esta parece uma questão de pontos de vista. E todos eles levam à face esculpida de uma jovem mulher, obra de arte que engessa um breve instante capturado pelo escultor. Com cabelos longos e acomodados sobre o ombro esquerdo, traços delicados e nariz elegante moldados no gesso, a escultura flagra a juventude de Mara, aos 20 anos, como se estivesse ali para manter acesa a consciência de onde vieram, e que o sorrateiro perecimento do corpo é a grata evidência das escolhas que os trouxeram até aqui, 50 anos depois.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Estáticas, mas modeladas para abrigar tudo o que couber sobre si mesmo, as esculturas não são a única fonte das memórias de Serafim.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Na esquina da Praça José Bonifácio com a Rua Brás Cubas, no centro histórico de Santos, o Teatro Coliseu parece ter vagado incólume pelos anos de decadência do centro da cidade e da valorização da orla da praia. Inaugurado nos prósperos tempos de </span><span style="font-family:Arial, sans-serif;">21 de julho de 1924,</span><span style="font-family:Arial, sans-serif;">quando o</span><span style="font-family:Arial, sans-serif;"> comércio internacional do café se expandia, o teatro tornou-se rota de atrações culturais importadas de todo o mundo – como a companhia Velasco e suas bailarinas espanholas, a francesa Bataclan, os bailados russos e as óperas nacionais e estrangeiras –, já que o Porto funcionava como a porta de entrada para o Brasil.</span></p>
<p>“<span style="font-family:Arial, sans-serif;">Sou ator por causa do Coliseu, e o teatro só existiu por causa do Porto. Para não perderem tempo, já que os navios costumavam ficar atracados por dias, as companhias faziam paradas obrigatórias na casa”, diz Serafim, lembrando que a arte era uma forma de os imigrantes se sentirem um pouco mais próximos de suas origens. Para o artista, ao contrário, o Coliseu seria o princípio de tudo, palco onde iniciaria a sua carreira profissional, aos 14 anos, com a peça Athenea – dirigida por Newton de Souza Telles e baseada em poemas de sua mãe, Itacy Telles.</span></p>
<p>“<span style="font-family:Arial, sans-serif;">Quando o Coliseu foi construído, ainda não havia eletricidade e sistema de ventilação, por isso tantas janelas. Mas, para evitar a entrada de não pagantes e a evasão de bilheteria, os administradores do teatro decidiram fechá-las. Era um calor insuportável, um verdadeiro tumulto!”, conta o artista, que a cada ponto final experimenta uma nova posição no sofá e leva as mãos cerradas à frente da boca, para tossir. É a partir desse momento, até reconstituir uma cena ou informação armazenada no fundo de seu arquivo mental, que Serafim se aquieta, em longos e confortáveis silêncios.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Então,o ritual se repete e ele divaga: “São Paulo é o pior lugar para se viver, o povo não tem identidade. Com a imigração, as pessoas perdem suas origens, mas, em Santos, isso aconteceu só recentemente”, analisa ele. É por isso que valoriza a versão mais primitiva dos hábitos, como o de “tocar nos livros, de sentir o cheiro das páginas”, ou a confiança de, às vezes, dispensar a imagem (“com uma caneta, você vai à lua”), e até mesmo tudo aquilo que não é essencial: “Um ator e um banquinho já fazem um espetáculo”.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Talento, por sinal, parece definir o código genético da família, ou assim diria Serafim. A novela mais marcante de sua carreira foi &#8220;Mulheres de Areia&#8221;, de Ivani Ribeiro, da qual participou nas duas filmagens: a primeira, em 1973, quando criou as 200 esculturas exibidas ao longo dos capítulos; na segunda, em 1991, a Rede Globo tentou vários artistas para a reprodução das obras, mas apenas um teria a habilidade de realizá-las com a rapidez necessária e seria contratado: Daniel, filho de Serafim. “Tem coisa que não se ensina, só se aprende”, diz o genitor.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Aprende-se, por exemplo, que o triunfo é perecível. Quando as rotas fluviais começaram a ser substituídas pelas aéreas, sem falar na popularização do cinema, que viria a ofuscar as obras teatrais, o Coliseu entrou em processo de definhamento. Na década de 80, quando o teatro passou a ser restrito às exibições cinematográficas, o Cine Coliseu foi relegado a sessões de filmes pornográficos, de faroeste e de Kung fu, até shows de strip-tease. Sob ameaça de se tornar uma loja de calçados, um estacionamento ou um shopping, quase foi demolido. A</span><span style="font-family:Arial, sans-serif;"> queda do Coliseu acompanhava a derrocada de Santos. Depois de tombado, a decisão de restaurar o edifício foi finalmente concretizada, sem reservas de entraves políticos, falta de verba e morosidade.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">A recuperação do Coliseu se estendeu por 10 anos, e o teatro foi reaberto em 26 de janeiro de 2006, aniversário de Santos, com a execução da Nona Sinfonia de Beethoven pela Orquestra Sinfônica Municipal de Santos. Entre os mais de 900 convidados, </span><span style="font-family:Arial, sans-serif;">estava Serafim Gonzales, que aponta falhas da obra: a restauração (que eu considero, na verdade, uma reforma) deixou de observar coisas que vão além do estético. Faltou o funcional, o que um teatro realmente deve conter, com melhorias no sentido de visibilidade e acústica. O Coliseu precisava de reparos mais profundos”.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;">Novamente, o silêncio, com a fixação do olhar para além dos limites da casa e do avanço do final de tarde. “O teatro me dá saudades, sinto falta da energia que fica acumulada, dessa troca com o público”, desabafa Serafim, que tem se dedicado, ultimamente, a estudar os orixás, tema da próxima exposição de esculturas que está preparando.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial, sans-serif;"><em>* Esta reportagem foi produzida em agosto de 2006. Serafim Gonzáles faleceu em 29 de abril de 2007, em Santos, de insuficiência respiratória. Em mais de 50 anos de carreira, atuou e dirigiu mais de 100 peças de teatro, 21 filmes, 30 novelas e inúmeras esculturas.</em></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/317/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/317/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=317&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Gentilezas à parte, quase deu briga</title>
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		<pubDate>Fri, 14 May 2010 22:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Suzana Vier]]></category>

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		<description><![CDATA[Por SUZANA VIER Eram só 10 horas da manhã, mas o Metrô de São Paulo estava tão lotado que parecia horário de pico. Calor, lotação, março, sol bem alto no céu. Um dia de intenso verão em São Paulo. Por sorte, no troca-troca de cadeiras na estação Sé, sobrou um lugarzinho e consegui um daqueles [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=295&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por <em>SUZANA VIER</em></p>
<p>Eram só 10 horas da manhã, mas o Metrô de São Paulo estava tão lotado que parecia horário de pico. Calor, lotação, março, sol bem alto no céu. Um dia de intenso verão em São Paulo.</p>
<p>Por sorte, no troca-troca de cadeiras na estação Sé, sobrou um lugarzinho e consegui um daqueles assentos em que a gente fica de costas para o vagão.</p>
<p>À frente, duas senhoras sentaram-se praticamente ao mesmo tempo, lado a lado, justamente no local reservado para idosos, gestantes e pessoas com crianças no colo.</p>
<p>As duas mulheres tinham mais de 65 anos e a mesma estatura. Do lado do corredor e com os braços nas ferragens que separam assentos e corredor sentou Joana. Este foi o nome que imaginei para aquela senhora baixinha, de cabelos grisalhos curtos e despontados. O rosto gordinho, portava um óculos redondo e grande, de lentes grossas. Dona Joana parecia bastante atenta às pessoas no vagão. Olhava de um lado pro outro, parava os olhos numa pessoa, depois em outra.</p>
<p>Do outro lado, no mesmo banco, Marisa &#8211; nome fictício para outra mulher de verdade &#8211; de cabelos louros encaracolados, óculos escuros com lente marrom e batom rosa claro. Marisa tinha um jeito altivo e sério. Usava uma blusa de malha levemente larga e comprida, própria para usar com sua calça tipo legging escura. Além de uma sandália aberta com um pequeno salto. Por ser magra, ela parecia mais alta que a companheira de assento no Metrô.</p>
<p>Uma estação depois da Sé, na Liberdade, uma moça jovem com um bebê no colo entra no vagão e fica no meio do corredor.</p>
<p>Ao ver a moça em pé, muito gentil, nossa Joana, decide questionar a senhora a seu lado, nossa Marisa: &#8220;por que você não sai daí pra moça sentar&#8221;.</p>
<p>Sem entender direito, a mulher devolve: &#8220;e por que eu?&#8221;.</p>
<p>&#8220;Esse banco é para idosos e mães, você não tá vendo a moça ali de pé?!&#8221;, criticou Joana, em alto e bom som.</p>
<p>&#8220;Então levanta você, porque eu tenho mais de 65 anos e direito de sentar aqui&#8221;, encerrou a conversa Marisa.</p>
<p>A primeira senhorinha ficou segundos parada, olhando a passageira ao lado, com cara de reprovação.</p>
<p>Percebendo a quase briga entre as mulheres, várias pessoas levantaram-se e ofereceram o lugar à mãe com o bebê. Mas, ela havia entrado no trem errado. Agradeceu e disse que desceria para pegar o sentido correto para seu destino.</p>
<p>Na estação Paraíso, eu, as duas senhoras e dezenas de pessoas descemos e não pude deixar de pensar: &#8220;O que levaria duas senhoras idosas a quase degladiarem-se no Metrô. Por ironia do destino, foram ríspidas uma com a outra, quando uma delas tentava ser gentil com uma terceira&#8221;.</p>
<p>Ainda bem que eu ia justamente encontrar uma amiga psicóloga para um café&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/295/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/295/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=295&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>QUE SEJA PELA ÚLTIMA VEZ</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 15:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Silvia Noara Paladino]]></category>

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		<description><![CDATA[POR SILVIA NOARA PALADINO Parece mais humano do que inteligente sofrer de algumas paranóias. Umas mais crônicas, outras que se dissolvem aos solavancos de uma expiração mais áspera. Qualquer um está sujeito, afinal, a se perder da realidade de vez em quando, ou não? Por volta das onze e tantas de uma noite comum da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=293&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>POR SILVIA NOARA PALADINO</p>
<p>Parece mais humano do que inteligente sofrer de algumas paranóias. Umas mais crônicas, outras que se dissolvem aos solavancos de uma expiração mais áspera. Qualquer um está sujeito, afinal, a se perder da realidade de vez em quando, ou não?</p>
<p>Por volta das onze e tantas de uma noite comum da semana, dirigindo de volta para casa, Gabriela pouco enxergava através da janela do passageiro do carro, seja pela atenção ao volante, pelos vidros protegidos com ‘insulfilm’ ou, mais provável, pela resistência tímida em encarar o estranho admirador que conduzia o automóvel ao lado. Pista expressa, poucos semáforos. Por alguns quilômetros, se fez passar por desentendida. Pouco mais adiante, passou mesmo foi o seu número de telefone.</p>
<p>– Me dá o seu celular? – arriscou o rapaz, agitando o seu próprio aparelho no ar.</p>
<p>Gabriela desceu o vidro elétrico (só até a metade) e, antes de dizer qualquer coisa, radiografou braços, mãos e rosto alheios. Nenhuma orelha de abano, aliança de compromisso ou tendências psicopatas. Ao contrário disso, surpreendeu-se ao mapear os cabelos de tom loiro escuro, com lisos fios acompanhando a longitude do pescoço; os ombros largos e fortes, expostos pela camiseta regata; o maxilar quadrado, feito os guerreiros da era medieval, ou pelo menos aqueles retratados no cinema; e o limitado espaço do Peugeot 206 para a sua estatura.</p>
<p>– Anota aí! – rendeu-se ela, ditando pausadamente cada dígito.</p>
<p>André tem um metro e noventa e três de altura, como disse precisamente à Gabriela no primeiro encontro, e ela se arrependeu por não ter optado por seu maior salto alto. Lamentou-se também pelo vestido nada apropriado para uma noite típica de verão e pouco sedutor – em seu julgamento – para um menino tão bonito: malha espessa e mangas na altura dos cotovelos; colo encoberto pela gola careta; e saia de comprimento nem charmoso, muito menos ousado, deixando apenas joelhos e panturrilhas à mostra. Gabriela decretou em pensamento: “Certeza que isso só vai durar uma noite”.</p>
<p>Aos seus vinte e seis anos e com gostos refinados, Gabriela, por outro lado, nunca se sentiu à vontade em jantares românticos à luz de velas e em relacionamentos mais adultos do que cômicos. Encantou-se ainda mais com André quando este confessou ter vinte e dois anos, não entender nada de cervejas e não ter concluído formação superior, até então. Sem falar na pequena cicatriz no lábio superior, na força das mãos – às vezes, descontrolada – ao redor de sua cintura e nas histórias sem qualquer glamour.</p>
<p>É evidente que Gabriela não acredita em príncipes. Exceto pelo porte físico de André, como o de personagens da mitologia humanizados na escultura grega – ou perto isso –, ele não teria o menor talento para o papel. Mas, ao terceiro encontro, Gabriela queria mais é ser Gata Borralheira. Ela acharia graça ao vê-lo embarcar pela primeira vez em um avião, teria orgulho ao apresentá-lo a seus amigos de infância, e revelaria gentilmente a ele o que mais a satisfaz. Ela o ajudaria no trabalho de conclusão de curso e até toleraria a molecagem da turma de amigos. Era fato.</p>
<p>Mas o quarto encontro não aconteceu. André disse que ligaria no domingo, mas só apareceu na segunda-feira, culpando a chuva pela preguiça invencível. No sábado, Gabriela voltou mais cedo de viagem com plano traçado – eles assistiriam a um lançamento que, em situações comuns, ela jamais tocaria na prateleira da locadora, ficariam largados sobre o tapete da sala, entre travesseiros e almofadas coloridas, e fariam amor ali mesmo. Perderiam o final do filme e dormiriam só perto do amanhecer. Mas André preferiu não contrariar a mãe, que queria o filho em casa. Chegado mais um final de semana, Gabriela tornou-se segunda, até terceira opção, atrás de compromissos importantes de André. Primeiro, ela questionou o que seria verdade ou mentira entre todas as desculpas. Mas o fato é que isso não fazia diferença. As duas respostas estavam erradas.</p>
<p>A ilusão de Gabriela teria virado prato principal do dia, mas foi esmagada como o alho que nem mais se percebe no arroz depois de cozido. E ela diz, novamente, que tal estupidez jamais irá se repetir.</p>
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		<title>Plena Travessia</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 14:29:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe Modenese]]></category>
		<category><![CDATA[epilepsia]]></category>
		<category><![CDATA[estigma]]></category>
		<category><![CDATA[narrativa]]></category>
		<category><![CDATA[travessia]]></category>

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		<description><![CDATA[      Excertos de uma jornada de alguém que vive a epilepsia  “É o que eu digo, se for&#8230; Existe é homem humano. Travessia.” (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas p. 624 -Nova Fronteira 2001)  Por Felipe Modenese           A Carga  “Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=287&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://narravidas.files.wordpress.com/2010/02/cicero.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-288" title="travessia" src="http://narravidas.files.wordpress.com/2010/02/cicero.jpg?w=490&#038;h=325" alt="" width="490" height="325" /></a>    </strong></p>
<p><strong> Excertos de uma jornada de alguém que vive a epilepsia</strong></p>
<p style="text-align:right;"> “É o que eu digo, se for&#8230; Existe é homem humano. Travessia.” (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas p. 624 -Nova Fronteira 2001)</p>
<p> Por Felipe Modenese          </p>
<p><strong>A Carga</strong></p>
<p style="text-align:right;"> “Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo” (GSV p.601)<strong></strong></p>
<p>“Deixa eu mostrar pra você. Vou fazer um montinho aqui pra você ver a carga diária!”</p>
<p>Cícero José de Oliveira, próximo de completar 37 anos, vira a caixa de sapatos tomada por medicamentos na mesa em que nos reunimos para conversar sobre sua convivência com a epilepsia. Os dedos das mãos grandes, com unhas bastante curtas, separam as cartelas dos comprimidos que fazem parte da sua rotina para domar as convulsões, os descontroles que começaram a revoltear sua vida há cinco anos.</p>
<p>“As pessoas que viram comentaram que eu me batia, retorcia, espumava”. O primeiro apagão acontece em um sábado de manhã. Cícero cai na cozinha de casa e só consegue gritar o nome da vizinha. A senhora entra em desespero ao ver aquele homem grande se debatendo no chão e, atônita, fica sem saber o que fazer. Depois de algum tempo, aquele corpo volta a ter coerência e começa sua travessia pela compreensão de sua nova vida. </p>
<p>Se a respiração começa a ficar um pouco agitada, aparecem ânsias e tontura, além de dor de cabeça, Cícero reconhece os sinais, cuja leitura aprendeu a duras penas, e sabe que se aproxima um túnel de desconhecimento&#8230; É bastante provável que em breve desçam as cortinas de sua consciência&#8230;</p>
<p>“Quem está perto di mim eu já aviso: se eu começar a me bater, só segura a minha cabeça; não segura mais nada ni mim!”. A orientação adequada veio de alguma pouca informação coletada na internet, mas, principalmente, de uma experiência marcante na igreja que freqüenta.</p>
<p>Subitamente, ainda no início do culto, vem o desconforto e a queda. Um “irmão” que estava ao lado tenta conter os movimentos e segura suas mãos. Como “a força era demais”, a contração muscular dos dedos foi tamanha que a pessoa teve que pedir ajuda para livrar as suas mãos antes que terminasse com algum dedo esbugalhado. “Então, toda vez que, Deus me livre e guarde, eu começo a passar mal, eu tento avisar”, preocupa-se Cícero.  </p>
<p>Graças ao acerto da dosagem da medicação, as crises, que já chegaram a 12 em um dia, têm diminuído de freqüência. “Espero que nunca dê mais&#8230; já faz três meses. Por que é muito difícil, né!?”. Ficar com as pernas paralisadas ou permanecer sem voz por umas duas horas ou ainda perder os sentidos completamente não incomoda pouco. Além de estar, é claro, exposto ao julgamento e à ignorância da maioria das pessoas sobre a condição neurológica que condiciona a epilepsia.         </p>
<p>Guiado pelas descrições de algumas pessoas que presenciam a crise e por aquilo que sente depois de “voltar ao corpo”, ele avalia: “Eu acho que deve ser bem horrível mesmo, porque, depois, eu sinto as dores dos tombos e machucados”. Certa vez, mesmo estando em um centro de atendimento hospitalar, seis pessoas tentaram reter seu corpo e não conseguiram. Na maca, em breves lampejos de consciência, ele percebeu que pessoas “costuravam” o corte ensangüentado de sua testa.</p>
<p>A intensidade do incômodo nos músculos do peito, as dores da cabeça, em cima de que parece que “passou uma retro-escavadeira” e as tonturas “de não conseguir parar de pé” são suas memórias do vigor daquilo que não pode vivenciar lucidamente. “Eu brinquei outro dia que eu queria que filmassem para eu ver como é que. Porque falam que é feio, né?!”.</p>
<p>Em outra ocasião, durante uma visita ao escritório da empresa em que trabalhava, Cícero sente-se mal e avisa a amiga com quem conversa: “Eu não tô bem!”. Não há tempo para deitar ou se acomodar – ele tem uma crise convulsiva, cai sobre a placa de vidro da mesa e começa a se debater. Ela grita desesperada e outras pessoas vêm acudir.</p>
<p>Depois de alguns dias, a amiga lhe traz a nova sentença de alguém que presenciou a crise: “Essa pessoa disse que achava que eu tava endemoniado”. Além de conviver com os transtornos “carnais” do problema e batalhar por atendimentos com investigação, diagnóstico e tratamentos médicos decentes, é preciso carregar nos ombros a falta de conhecimento de outros. É preciso tolerar o estigma do olhar sombroso do outro: “Eu fico com muita vergonha”.</p>
<p><strong>O Motivo</strong></p>
<p style="text-align:right;">“Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado&#8230;” (GSV p.237)</p>
<p style="text-align:left;">“Até então, não era do jeito que foi”, o homem explica. Era “uma coisa assim que dava&#8230;”, alguns breves lapsos de consciência e memória, um tipo de estranhamento que ele atribui a qualquer dos excessos etílicos da infância e que, portanto, não preocupavam.</p>
<p>Quando começaram as “crises fortes”, Cícero trabalhava em uma retífica de motores. E ali lidava com reagentes químicos potentes. De acordo com os laudos e a opinião de uma médica que acompanhou sua situação, a “síndrome epiléptica” presente desde a infância (possivelmente causada por uma “calcificação parietal à esquerda”, identificada em uma tomografia) foi agravada, provavelmente, pela intoxicação do organismo.</p>
<p>Quando, depois de alguns meses das primeiras convulsões, a esposa Laura Ferreira de Oliveira conseguiu, com “bastante complicação”, uma boa dose de esforço e a “misericórdia” de algumas pessoas “abençoadas”, a primeira consulta médica investigativa, Cícero ainda vomitava muito&#8230;</p>
<p>Antes disso, sem ter “nenhum entendimento do que estava acontecendo” e orientação adequada, o princípio da nova jornada não foi nada suave. No pronto-socorro é “passou a crise, tchau!”, Laura se refere ao procedimento de aplicação de drogas anticonvulsivantes, espera por cerca de duas horas do retorno a “normalidade” e (&#8230;) nada mais.  </p>
<p>As crises e a incompreensão continuaram. Por ser um homem religioso, Cícero chegou a cogitar os desígnios divinos e perguntar-se o motivo de uma punição: “Será que é alguma coisa de errado que eu tô fazendo?”.</p>
<p> O “obreiro da igreja” enfrentou algumas armadilhas do senso-comum. Diante de algumas experiências com que tinha se deparado, ele compara: “Esses sintomas é de uma pessoa perturbada”. Não apenas lhe acometeu a carga de preconceito de acharem que “estava&#8230; sendo possuído”. Veio também o peso intolerável de macular o reconhecimento de Deus e o status de sua igreja, uma vez tinham surgido indagações da boca de alguns “irmãos” e de sua mente: “Eu tenho fé em Deus, procuro fazer a vontade Dele e&#8230; eu com tudo isso ainda?!”    </p>
<p>A epilepsia isolou Cícero. Sobressaiu, por um tempo, a dúvida e o medo de expor seu desconcerto em qualquer ambiente, perante um amigo ou a família. Ele lembra: “Teve uma época que estava pior, tava me entregando. Às vezes achava assim: Pra que viver, né?!”</p>
<p>Quando as crises estavam seguidas, Laura trabalhava como vendedora. Suas pernas amoleciam, as mãos gelavam e “perdia o sentido” toda vez que a telefonista anunciava uma ligação para ela. “Às vezes, não tinha força para atender” porque sabia que algo acontecia com o marido.</p>
<p>Não deve ser nada fácil vivenciar alguém amado se desmontando e, inconsciente, se debatendo. Ou ainda situações em que, durante uma convulsão, não sabia se segurava a cabeça do marido ou seus joelhos recém-saídos de uma cirurgia. Ou ainda não ser reconhecida pelo marido e confundida com a enfermeira. Ela avalia que “a pessoa que tá junto sofre, na verdade, até mais porque tá vivendo tudo aquilo ali do outro lado da história”.  </p>
<p> O sofrimento foi suficiente. Foi necessário o movimento. “Depois a gente começou a conversar e procurar saber o que fazer”. Laura conseguiu-lhes a primeira consulta médica. Cícero foi afastado do trabalho pela intoxicação, começaram avaliações, acompanhamento psicológico e o tratamento farmacológico.</p>
<p>O paradoxo de ser uma pessoa de fé “perturbada” e o pânico diante do descontrole foram, aos poucos, perdendo espaço para o aprendizado de como “lidar com a situação” e de que, com a medicação, se “consegue viver normalmente”.  </p>
<p><strong>            </strong></p>
<p><strong>A Cura</strong></p>
<p style="text-align:right;">“Os fatos passados obedeçam à gente; os em vir, também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece igual – é o que é. Isto, já aprendi” (GSV p.359)</p>
<p style="text-align:left;">De onde nos encontramos até sua casa, Cícero pilota sua moto com segurança, mas não se percebe que baixa velocidade seja exatamente uma prioridade&#8230; É nesse mesmo veículo que ele transporta o filho de oito anos do casal, Gabriel, entre a casa e a escola.</p>
<p style="text-align:left;">Questionado sobre o perigo disso, ele argumenta que as auras, os mal-estares que antecedem uma crise e que já são velhos conhecidos, sinalizam o que se aproxima. Assim, diz, ele tem tempo de parar e descer da moto. Além disso, ele responde: “Mas eu vou ficar dentro de casa? Vou me render à doença? Tem gente que se rende à doença e se faz de coitado. Eu não! Eu quero erguer minha cabeça e tentar passar por esse problema!”.</p>
<p>Para tanto, uma das batalhas escolhidas e travadas começou há cerca de um ano, quando o afastamento pelo INSS foi suspenso, e eles decidiram entrar na Justiça Federal do Trabalho com pedido de aposentadoria por invalidez. Cícero correu atrás dos documentos, exames e avaliações atualizados, e espera a sentença. A demora, o que implica em dificuldades financeiras, transtorna: “Não é uma coisa fajuta. Tem laudo de tudo&#8230; Isso daí me perturba um pouco. E quando eu fico assim&#8230; Daí mexe com o meu motivo!”.</p>
<p>Percebe-se o rebuliço que a epilepsia ainda pode provocar no Brasil em nossos dias, mesmo que Laura diga: “Com o tempo a gente vai até se acostumando. Infelizmente é uma coisa normal para mim”. A situação é tão exigente e desgastante, a falta de preparo e apoio é tamanha que não é de se estranhar o desejo de uma solução definitiva.  </p>
<p>Desde o começo, em 2004, “até hoje, nenhum médico falou pra gente que isso tem cura”, comenta a esposa e o marido completa: “E eu queria que tivesse! Nossa, é ruim! É ruim porque as pessoas olham com outra vista!”.</p>
<p>Entre as pessoas que olham, embora nunca tenham visto, está Gabriel. Antes de começarmos a conversa, a mãe pede ao menino que entre no quarto e fecha a porta. Mal se toca no assunto, ela deixa claro: “Graças a Deus, em nenhuma vez ele viu!”. A criança sabe que o pai tem “um problema”, mas os pais fazem questão de apenas contar o que acontece, mas definiram como proibida a marca de uma convulsão do pai.</p>
<p>Cícero diz-se bastante “perturbado” pela possibilidade de expor sua “monstruosidade” ao filho: “Eu quero eu sofrer. Não quero que os outros sofra. Já que é pra sofrer, que sofra um só, né?!”. Ele conta que, enquanto visitava com o filho a esposa no trabalho e identificou o começo de uma crise, teve forças para gritar ainda para ela: “Tira ele daqui!”.    </p>
<p>Outro episódio aconteceu recentemente durante a visita a sua família, na cidade natal. Os pais e os dez irmãos não tinham presenciado até então. Embora eles soubessem, não apoiavam. “Agora eles acreditam!”, exalta-se. Todos, exceto uma irmã enfermeira, se assustaram e o importante apoio até hoje não veio. “Então, isso te joga um pouco mais lá embaixo, né?!”, desabafa.     </p>
<p>Dessa forma, o homem vacila entre a vergonha e a coragem necessária para aceitar sua condição delicada. De uma atitude que nega e recobre de sombras a situação, Cícero oscila para a aceitação e a conciliação com sua fé: “Graças a Deus, com muita fé em Deus, eu consegui erguer a cabeça e perceber que a gente pode passar por isso. Se for uma coisa eu que tenho que conviver com ela, amém!”.</p>
<p>Além das orações, ele reconhece a importância da ajuda do psicólogo, do acompanhamento médico, dos comprimidos e tem intuição daquilo que pode tornar mais suave, benéfica e reveladora sua caminhada pela epilepsia (mesmo que perdure pelo resto de seus dias): “Teve uma época que até pensei em pegar umas coisas na internet, tirar umas cópias e dar pra esse povo – Tó, lê ai. Isso daqui não bicho de sete cabeças, não”.</p>
<p>Informação e esclarecimento devem iluminar e orientar melhor a sua jornada, que continua. No dia seguinte à conversa recebo a notícia de que Cícero atravessou uma crise quando dirigia pela cidade. Há três meses já não acontecia. Ele percebe a aura e tem tempo de encostar a moto, deitar na calçada e passa pela convulsão.</p>
<p>Pode até ser que venha a cura, mas, agora, Cícero pode ensinar sobre o motivo de sua carga, em plena travessia.</p>
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		<title>Domingo passado sai de casa pra pular carnaval&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 19:18:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Erika Morais]]></category>
		<category><![CDATA[Augusta]]></category>
		<category><![CDATA[bloco]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[prévia]]></category>
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		<description><![CDATA[E não me olha torto porque ainda não é carnaval ou porque é São Paulo ou porque o bloco surgiu de uma casa noturna da Rua Augusta. Nem é isso o que você ta pensando. O bloco surgiu de uma vontade dos donos do Studio SP e do bar Sonique de resgatar o carnaval de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=269&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_268" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><a href="http://narravidas.files.wordpress.com/2010/02/baixo-augusta1.jpg"><img class="size-full wp-image-268" title="baixo augusta" src="http://narravidas.files.wordpress.com/2010/02/baixo-augusta1.jpg?w=490&#038;h=367" alt="" width="490" height="367" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Lidi Faria (www.flickr.com/lidifaria/) sob licença Creative Commons.</p></div>
<p>E não me olha torto porque ainda não é carnaval ou porque é São Paulo ou porque o bloco surgiu de uma casa noturna da Rua Augusta. Nem é isso o que você ta pensando.</p>
<p>O bloco surgiu de uma vontade dos donos do Studio SP e do bar Sonique de resgatar o carnaval de rua na região. E por achar a ideia muito válida e estar longe fisicamente dos meus carnavais de origem, (e porque tava um domingo lindo de sol!), resolvi dar uma conferida.</p>
<p>Surpresa minha ver que tinha mais do que meia dúzia de pessoas na concentração. Mais surpresa ainda ver que tinha muita gente dentro do galpão que abriga o Sonique na Rua Bela Cintra.</p>
<p>O sambão toma conta do lugar e apesar de samba no pé que é bom, nada, impressionou ver samba na ponta da língua de muita gente ali.</p>
<p>Com quase uma hora de atraso o bloco sai. Com um pequeno carro de som levando sua madrinha, Marisa Orth, que faz caras e bocas, senta, cruza suas enormes pernas, mesmo com um curtíssimo vestido verde limão, e desce pra galera. Centenas de pessoas.</p>
<p>Na sequência, bandinha com percussão e metais.</p>
<p>“A la la ôôôôôôô. Mas que calor ôôôôôô&#8230;”</p>
<p>O suor escorria naquele monte de rostinhos felizes e derretidos de satisfação.</p>
<p>À direita, descendo a mini-ladeira da Rua Costa, tive uma pequena sensação olindense percorrendo minha memória. No lugar do frevo, a cabeleira do Zezé.</p>
<p>“Será que ele é?”</p>
<p>No carnaval do Baixo Augusta ele é. Assumido e orgulhoso, assim como a Maria Sapatão, cantada a plenos pulmões, com muitas Marias rindo de si mesmas e celebrando, longe do politicamente correto, o que o hino do bloco diz:</p>
<p>“&#8230;o Baixo é a terra da mistura!”</p>
<p>Bonito de ver a vizinhança fazendo parte. Muitas crianças. Muitos camarotes nos edifícios da região.</p>
<p>Carnaval de rua de paulista: Vire à esquerda na Rua Augusta e se junte aos ônibus, carros e motos.</p>
<p>O calor vinha do sol de 35 graus, do bafo quente dos automóveis, do balancê de corpos, esse sim, típico dos blocos de carnaval de rua.</p>
<p>O carro pipa só serviu de palco. A mangueira, de adereço (!). Não veio água do céu e o estoque de latinhas teve fim nos botecos de domingo.</p>
<p>Cores suntuosas de fantasias caprichadas ou improvisadas refletiam à luz do sol forte.</p>
<p>O estandarte à frente, levado orgulhosamente por Marcelo Rubens Paiva, chega rapidamente ao ponto final do bloco e alguém fala ao microfone que é hora de ir embora.</p>
<p>Mas a sensação geral era a de que aquilo era só a entrada para um prato principal. Todos queriam mais.</p>
<p>E então chega a polícia. Com toda a sua simpatia de quem está trabalhando quando todo mundo em volta está se divertindo. Uns dez carros para colocar “ordem” em algo que estava dentro do acordo feito com a prefeitura: carro de som desligado e dispersão dos foliões da rua. E olha que tudo tava indo tão bem. Para que dez viaturas, sirenes ligadas e carros direcionados para cima das pessoas forçando-as a saírem do caminho?</p>
<p>Enfim, a PM sim, “apavora, mas não assusta”.</p>
<p>Pelo visto o ano que vem tem mais. E olha que ainda nem é oficialmente carnaval!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/269/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/269/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=269&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Manhã de Cão</title>
		<link>http://narravidas.wordpress.com/2009/12/15/manha-de-cao/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 20:20:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Wagner Hilário]]></category>
		<category><![CDATA[cachorro]]></category>
		<category><![CDATA[ouvinte]]></category>
		<category><![CDATA[trânsito]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Wagner Hilário O nome dele é Rui. Na rádio Sulamérica Trânsito, chamaram-no “ouvinte Rui”. — Gostaria de alertar que no sentido-Rio de Janeiro da Dutra há um cãozinho magrinho tentando atravessar. Alguém precisa ajudar o bichinho a atravessar, porque senão teremos mais um bichinho morto na estrada. Seria importante que as autoridades tomassem alguma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=249&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Wagner Hilário</p>
<p>O nome dele é Rui. Na rádio Sulamérica Trânsito, chamaram-no “ouvinte Rui”.</p>
<p>— Gostaria de alertar que no sentido-Rio de Janeiro da Dutra há um cãozinho magrinho tentando atravessar. Alguém precisa ajudar o bichinho a atravessar, porque senão teremos mais um bichinho morto na estrada. Seria importante que as autoridades tomassem alguma providência, pra impedir que isso aconteça.</p>
<p>A mensagem do Rui — mais ou menos o que se lê acima — fora gravada na caixa-postal da rádio e transmitida ao público ouvinte com a mesma seriedade com que a emissora informa sobre as condições dessa ou daquela via. Os ouvintes entram no ar, geralmente por gravações telefônicas, e dizem algo como: “peguei a via a tal e está horrível, quem puder, pegue outra” ou “peguei a rua x em alternativa à y e me dei muito bem. Recomendo a todos que estiverem por esses lados”. Os apresentadores fazem o mesmo.</p>
<p>Porém, a mensagem do “ouvinte Rui” não tratava de salvar compromissos ou aplacar a impaciência dos motoristas. Rui não pedia um guincho da concessionária da rodovia pra desobstruí-la. Nenhum caminhão tinha capotado, nenhum motoqueiro tinha ido parar embaixo de carro nem dois moleques tinham colidido durante um racha. O problema não era dos homens nem de suas máquinas, mas do cão, ali, na piedade de sua magreza, bastante atrapalhado pelos homens e suas máquinas.</p>
<p>O Rui quis salvar o bichinho.</p>
<p>Lógico, parar o carro na Dutra e descer pra ajudá-lo seria perigoso pra ambos. Assustado, o cachorro podia correr pro meio da rodovia e ser desossado por um&#8230; dois pneus. Clamou, então, às autoridades em rede metropolitana de rádio, tratando o animal pelo diminutivo, como costumamos fazer com nossos jogadores de futebol, amigos e parentes. Não sei se foi atendido, mas ele e o sujeito que selecionou sua mensagem pra ir ao ar salvaram minha manhã de congestionamento.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/249/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=249&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Contos de fadas, vilões e cupidos renegados</title>
		<link>http://narravidas.wordpress.com/2009/04/28/contos-de-fadas-viloes-e-cupidos-renegados/</link>
		<comments>http://narravidas.wordpress.com/2009/04/28/contos-de-fadas-viloes-e-cupidos-renegados/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2009 17:44:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Silvia Noara Paladino]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro amava Luiza. Por uma década alimentaram as promessas que perpetuam a crença de que o amor é divino, e não humano. O casamento parecia apenas uma questão de tempo – ou do pouco tempo que restava, afinal, os trinta anos de idade ultrapassados por ambos começavam a incomodar feitos espinhos. A princípio, leves picadas. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=242&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">Pedro amava Luiza. Por uma década alimentaram as promessas que perpetuam a crença de que o amor é divino, e não humano. O casamento parecia apenas uma questão de tempo – ou do pouco tempo que restava, afinal, os trinta anos de idade ultrapassados por ambos começavam a incomodar feitos espinhos. A princípio, leves picadas. Mas, conforme a pressão aumentava, era como se faltasse muito pouco para perfurar a pele, para sangrar. Pedro fez o pedido, de acordo com as expectativas da família e dos amigos em comum. E Luiza fugiu para onde a segurança não passava de uma tábua de passar roupas escondida atrás da porta do banheiro. Foi nos braços de Luis, a quem amou instantaneamente, que admitiu a possibilidade de destino e fez Sofia – a cara do pai, o temperamento da mãe. Pedro tocou a vida.</div>
</p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">
Carolina zombava das tolices do amor, quando estar solteira a permitia ser tudo o que desejava, e dizia que não queria namorar. Ela não deu o braço a torcer. Para amar Eduardo, pegou um atalho, atravessou o Atlântico e algumas das tantas barreiras culturais, trocou a noite pelo dia e foi parar sob o mesmo teto que ele. No entanto, a garota de pouco mais de vinte anos, preenchida pelos prazeres da juventude, leal ao compromisso de ser feliz e livre em sua essência não poderia amar um homem de pouco mais de quarenta anos, pai de dois filhos, dono de uma sabedoria ora admirável, ora insuportável, e cheio de manias que ela não nunca entenderia. E então ela amou Eduardo como uma mulher mais madura, responsável pela bela casa e pelos empregados, ora corajosa, ora teimosa. E eu me assustei quando não a reconheci. Ao decidirem com o cérebro que não mais se amariam, Carolina voltou para casa, mas não lembra onde foi parar o seu coração.</div>
</p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">
Determinada a não mudar por ninguém, Ana Cláudia, por outro lado, deixou o amor falando sozinho nos momentos em que este tentou impor a ela sacrifícios cruéis para uma vida tão curta. Por mais diferentes que fossem um do outro e que o mundo ardesse sob seus pés, Ana Cláudia deu um jeito de amar Rafael desde o primeiro encontro, quando ainda adolescentes, em férias da escola. Ela o amou como pode, quando pode, e soltou qualquer rédea que o impedisse de seguir o seu caminho, da mesma forma que uma criança, com uma só mão, desfaz o laço do presente. Lembro-me como se fosse hoje de quando ela disse: “Não consigo me ver, no futuro, ao lado de outro homem”. Rafael ama Ana Cláudia e enxerga, no passado, o amanhã, mas nega o minuto presente – o único lugar em que ela deseja estar. Sem ele.</div>
</p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">
Renata pensou estar no controle quando programou o pensamento para aceitar a distância, compreender o desejo instintivo, dar mais do que receber e envergonhar o orgulho que não aceita menos do que o empate. Afinal, a inteligência, a experiência, a curiosidade, o espírito aventureiro e o corpo escultural criavam a fórmula do homem a quem poderia confiar sua fragilidade. Uma bela história, daquelas em que o sofrimento e o sacrifício seriam compensados por um estonteante final, se respeitado o tempo do Universo, de Deus, dos Deuses, de Gaia – e por aí vai.</p>
<p>Renata amava Rodrigo, que amava mais a si próprio e que, um dia, acreditou que ainda amava sua ex-mulher, pai de seu filho. O tempo foi degolado, como em um golpe de espada. Pegou de raspão – em Renata.</p></div>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">
<p>Gabriela amava João, que também foi amado por Renata, antes dessa amar Rodrigo, mas que não amou nenhuma das duas. Assim como Guilherme, que é amado por Adriana, que é amada por Ricardo, mas que não ama ninguém.</p></div>
</p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;">
Eu poderia dizer os nomes reais de todos esses personagens – aqueles que eu conheço –, mas você também deve conhecer os seus. Com tantas linhas tortas, cruzamentos perigosos, enredos desconexos e melodias desafinadas, seria confortante defender a imagem de um amor que é mistério, bênção ou salvação. Prefiro acreditar que é só amor.</div></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/242/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=242&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Para não pensar</title>
		<link>http://narravidas.wordpress.com/2008/11/23/para-nao-pensar/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 19:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Silvia Noara Paladino]]></category>

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		<description><![CDATA[por SILVIA NOARA PALADINO   No meu primeiro contato com o Sérgio, liguei do meu celular para o número de seu apartamento, por volta das 21h40, enquanto dirigia do trabalho de volta para casa. Há três dias que tentava encontrá-lo em casa. Conversamos por alguns minutos e combinamos de nos encontrar em sua casa, no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=232&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<div><em></em></div>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">por SILVIA NOARA PALADINO</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">No meu primeiro contato com o Sérgio, liguei do meu celular para o número de seu apartamento, por volta das 21h40, enquanto dirigia do trabalho de volta para casa. Há três dias que tentava encontrá-lo em casa. Conversamos por alguns minutos e combinamos de nos encontrar em sua casa, no sábado seguinte, por volta das 16h, quando retornaria de seus exercícios habituais no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Antes de desligarmos, sabendo da minha irresponsabilidade de guiar falando ao telefone, uma bronca: ”E cuidado você aí!”</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Em seu apartamento, localizado em São Caetano do Sul (SP) e para onde se mudou há poucos meses com a esposa, a predominância do branco e os poucos móveis fazem da sala de estar um ambiente amplo e clean. O casal curte a casa nova, sem esquecer os detalhes que ficaram para depois, como a cortina e a mesa de jantar. Para Sérgio, no entanto, a maior urgência é o bar, que será instalado – no que depender dele – no canto ocupado, hoje, por uma poltrona. “Isso vai ficar para o orçamento só do ano que vem”, já adverte a esposa.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Para Sérgio – na certidão de nascimento, Sérgio Nogueira –, ter o seu próprio lar, depois de uma vida de 36 anos sob os cuidados dos pais, significa uma independência que sempre batalhou para conseguir. Inteiramente planejado com o intuito de facilitar sua locomoção na cadeira de rodas e as atividades rotineiras, o apartamento possui corredores largos, piso fácil de deslizar, portas e armários de correr e banheiro adaptado, com a pia mais baixa e barra de apoio no box. No quarto, um ‘lift’ o suspende para as transferências da cama para a cadeira, e vice-versa.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Vinte anos após a lesão medular que obrigaria seu filho a viver em uma cadeira de rodas, Maria não esconde a apreensão inicial com a decisão de Sérgio. Embora tentem aproveitar o tempo para sair mais, como passar os finais de semana no Guarujá (litoral de São Paulo), ela e o marido permanecem ali, na retaguarda, como estiveram ao longo de todos esses anos e, por mais que procurem disfarçar, assim será sempre. Maria conhece a personalidade forte do filho, contudo, para não contrariá-lo. Mesmo porque, quando ele quer, ele consegue. “Para o Sérgio, não existe obstáculo ou dificuldade”, diz ela.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Além disso, os pais nunca negaram nada ao filho, seja quando decidiu voltar a estudar e prestar vestibular para Ciências da Computação, ainda garoto, ou quando insistiu para que o pai adaptasse o carro, de forma que ele pudesse dirigir. Até mesmo quando quis substituir a cama de hospital por uma cama de casal, para ficar em casa com a namorada, seu pedido foi atendido. Tal dedicação rendeu aos pais o papel merecido de “grandes incentivadores” do filho, como Sérgio mesmo reconhece, entregando ainda que sempre foi um pouco rebelde. “Ele ficou muito mimado também, sempre foi ‘o queridinho’, tem um charme danado! É a esposa quem tenta colocar ele no lugar agora”, diverte-se Maria.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"><strong>“Foi um acidente e acabou. Ponto.”</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Sérgio pegou o gosto pelo surf com 12 anos, o que incentivou o pai a comprar um apartamento no Guarujá. Em um domingo de sol de setembro de 1987, ele colocou sua prancha debaixo do braço e entrou nas ondas da Praia das Pitangueiras, como já estava acostumado a fazer. E foi em um mergulho simples, despretensioso e infeliz que bateu a cabeça em um banco de areia. Primeiro, achou que fosse uma queda qualquer, até perceber que não conseguia mover os braços, nem a cabeça, que estava imersa, para recuperar o ar. Então, apagou. Recobrou a consciência já no hospital, onde entendeu que ficara tetraplégico.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">“Eu era um menino que estava começando a vida e, de uma hora pra outra, tudo acabou, tive que começar tudo de novo. E só o tempo faz você se adaptar a isso”, diz Sérgio.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Nos primeiros três meses após o acidente, ele teve o pescoço e a cabeça imobilizados, o que o impedia de fazer qualquer movimento, ou mesmo sair da cama. Devido a uma pneumonia dupla, os médicos consideravam uma cirurgia muito arriscada e, além disso, os tratamentos disponíveis naquela época não tinham a mesma sofisticação dos recursos utilizados hoje em dia. A operação veio a acontecer apenas no dia 15 de dezembro, no Hospital Samaritano, onde Sérgio passou a receber também as primeiras orientações sobre como lidar com o novo corpo. Depois da cirurgia, precisou usar colar cervical por mais quatro meses e, só então, pôde começar a ficar sentado.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">“Naquela época, ninguém tinha idéia do que era um deficiente físico. Hoje, a situação ainda é uma droga, mas melhorou”, relembra Sérgio, que desde o início se recusou a deixar de fazer qualquer coisa por se preocupar com os outros.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Maria conta que o período de reabilitação na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) foi fundamental para a adaptação de toda a família ao filho que havia acabado de nascer de novo. Foi lá que conheceram pessoas envolvidas em casos ainda mais dramáticos. Pessoas dificilmente vistas na rua, principalmente naqueles tempos. Para Sérgio, principalmente, os benefícios de freqüentar o grupo apareceram em pouco tempo. Ele ministrou cursos sobre lesão medular na entidade durante 14 anos, até 2003.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Desde então, nem os dias ruins e os momentos de revolta confundiram sua convicção de que não precisava de grandes feitos, apenas de ações, sem parar para pensar no que teria sido se não fosse aquele acidente. Por muitas vezes, surpreendeu aos próprios pais, como quando aprendeu a nadar de costas na AACD – um espetáculo que todos paravam para ver, conta Maria. Dois anos após a lesão, voltou ao colegial e, na seqüência, prestou vestibular para Ciências da Computação, na PUC-SP. Para arranjar uma desculpa para o pai – que desejava ver o filho estudando em uma faculdade de engenharia em São Caetano mesmo –, zerou propositadamente em uma das provas. Ele queria sair de sua cidade, ver coisas diferentes. Além disso, vieram o trabalho, as saídas freqüentes com os amigos, as namoradas.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">“Perdi a ilusão de tudo, mas nunca chorei na frente dele. Um dia, ele chegou a me questionar sobre isso, dizendo que não me importava tanto com ele. Mas eu sentia mais do que todo mundo. Mãe é a que mais sente”, diz Maria, que confessa ter perdido muito de sua crença. “Esse tipo de coisa revolta, e a religião começa a incomodar. Foi um acidente e acabou. Ponto”.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Mãe e filho sabem o quanto a reviravolta em suas vidas transformou cada parte da casa, da rotina, dos valores de vida e, inevitavelmente, a relação entre eles. A mãe está certa de que passou a conhecer muito mais o próprio filho depois do acidente, mesmo porque todas as forças e horas passaram a ter um único propósito: o bem-estar de seu filho. Já para Sérgio, a dedicação e companheirismo da mãe, ao mesmo tempo em que tiveram papéis decisivos para todo o seu processo de adaptação à nova realidade, também geraram conflitos.<br />
 <br />
“De uma hora para outra, fiquei de novo dependente dos meus pais. E isso gerou muito atrito, porque depender das pessoas para tomar banho, colocar roupa, é um pé no saco! Essa foi uma das variáveis que fez com que nossa relação mudasse, mesmo porque eles se tornaram ainda mais protetores”.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"><strong>“Vou tocar a vida de qualquer forma”</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Em seu álbum de formatura do terceiro grau, Sérgio protagoniza os registros daqueles tradicionais momentos dos quais todos os pais se orgulham. Entre eles, estão fotos do momento da valsa, quando Maria senta no colo do filho para a dança dos formandos, a convocação para a entrega do diploma – junto à disposição dos colegas em erguer o amigo na cadeira de rodas – e a imagem daquele rapaz de sorriso espontâneo e ar conquistador entre as garotas bonitas da classe. Maria não perde a chance de elogiá-lo: “Lindo de morrer!”</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Sérgio é ateu e garante que sempre rejeitou a idéia de freqüentar psicólogos e terapeutas. Acha tudo isso uma grande bobagem. Para Maria, tal postura resulta, em partes, da avalanche de religiões que tentaram atrair sua confiança, após o acidente, além do abalo diante da morte de pessoas muito próximas, na mesma época. O maior apoio para os momentos mais difíceis, reforça Sérgio, sempre partiu da família, dos amigos. Pessoas que nunca deixaram de encher a casa, sem dar tempo para reflexões que não levam a nada, para pensamentos desalentados. E ponto.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">“Até hoje, se paro para pensar, fico deprimido. É bom não parar para refletir, porque essa situação é um saco mesmo. Mas vou tocar a vida de qualquer forma”.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Entre as inúmeras situações com as quais Sérgio teve de aprender a lidar, está a necessidade de planejar muito bem qualquer atividade, como viagens, por exemplo. Como um estrategista profissional, ele tem que pensar em tudo: nos horários do banho, em quem vai ajudá-lo com as tarefas rotineiras, nos cuidados com o corpo e com a alimentação, nas facilidades de locomoção, em toda a parafernália que precisa transportar. É um trabalho danado. Sérgio se refere a tais preocupações, no dia-a-dia, contudo, como processos tão automáticos quanto colocar o lixo na rua, fechar as janelas quando chove, colocar as toalhas para secar no varal ou checar se há novas correspondências. Deixar de fazer o que quer, nem pensar.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Vinte anos após o dia que se tornou um divisor de águas na sua história, Sérgio não perde a naturalidade em me contar sobre qualquer episódio dessa caminhada. Aparentemente, nenhum sinal de emoção que extravasa, palavras mais carregadas ou respiração alterada. Por outro lado, mal consigo acompanhar seus braços e mãos que se alongam e gesticulam, cortando o ar, durante todo o tempo (comandos possibilitados por cirurgias, mesmo sem a sensibilidade desses membros), além dos movimentos com a cadeira de rodas, para lá e para cá.  “As pessoas dizem mesmo que eu não pareço tetraplégico”, diz ele.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Para Sérgio, ainda não há tratamento mais eficaz do que existir por inteiro, preencher os dias com pequenos momentos que o impedem de viver pequeno, de viver sem graça. Como quando sorri silenciosamente ao observar, sem interferir, a esposa já impaciente por não conseguir se entender com o novo programa que ele instalou no computador.</p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:150%;margin:0;">Sem segredos, sem lamentos, sem tempo a perder.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/232/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=232&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Toques crepusculares</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 03:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[por FELIPE MODENESE   O nariz adunco suspende o véu. Tem ramos de flores amarelas e brancas como auxiliares a suportar&#8230; De onde estou sentado, consigo perceber os olhos fechados e já não espero o inchaço do peito. Não espero um sorriso ou um abano, mas algo interno sabe que há vida e ela ressoa. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=225&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><a href="http://narravidas.files.wordpress.com/2008/11/laurival1.jpg"></a><em>por FELIPE MODENESE</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>O nariz adunco suspende o véu. Tem ramos de flores amarelas e brancas como auxiliares a suportar&#8230; De onde estou sentado, consigo perceber os olhos fechados e já não espero o inchaço do peito. Não espero um sorriso ou um abano, mas algo interno sabe que há vida e ela ressoa.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em><span> </span><span>       </span>A imagem me faz lembrar o crepúsculo em uma serra no Alto do Caparaó, na fronteira MG-ES: a matéria, o perfil, junto à luminosidade do dia que finda ou principia&#8230;, compõem algo mais vasto do que alguma possível cadeia de palavras pode alcançar.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><span><em>      </em><a href="http://narravidas.files.wordpress.com/2008/11/image031.jpg"><em><img class="aligncenter size-full wp-image-229" title="image031" src="http://narravidas.files.wordpress.com/2008/11/image031.jpg?w=490" alt="image031"   /></em></a></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em><span>        </span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>        A voz solene do arcebispo de Botucatu, vestido de preto e faixa púrpura no ventre, abençoam, acomodam o sagrado no velório de Laurival de Luca. Enquanto isso, meus olhos tentam captar o que extravasa da dor da esposa, dos filhos e dos presentes que também orbitam sua vida. </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>O corpo e o sangue de Cristo é compartilhado, é acolhido e parece confortar alguns espíritos dilacerados pela perda, tremenda ainda que inevitável, dada a gravidade da doença.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em><span>        </span>Os braços se projetam dos ombros e se encontram, pelas mãos, sobre o ventre. Grandes mãos. Limpas, confortáveis na aparência, aconchegantes. Instrumentos de trabalho. Mãos que partem deixando tantos paridos. As mãos de um obstetra experiente, de uma alma vibrante. Mãos que ajudaram a brotaram tantas vidas, tantos universos de possibilidades, inclusive a vida destes dedos que ousam prestar esta homenagem.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em><span>        </span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em><span>        </span>“As pessoas não morrem, ficam encantadas”, assegura o mestre Guimarães Rosa. Pois então, Laurival fica encantado no dia 21 de setembro, dia da Árvore, vésperas da entrada da primavera. Daqui uma semana completo meu aniversário. Há 27 anos, fui puxado por suas mãos, as mesmas que estão ali&#8230; encantadas. Serenas mãos sobre seu ventre irradiando satisfação.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Nunca conversamos. Nunca usamos palavras. Dissemos pelo grito e pelo silêncio. </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Sempre ouvi de terceiros sobre sua bondade, atenção, compromisso, entusiasmo, seu brilho ao falar, ao transmitir coragem para as mães, seu encanto. Nunca de sua boca. Tantas vezes ouvi sobre como foi essencial aos três partos de minha mãe. Felizes partos e posteriores ao primeiro traumático. Foi força pura e confiança segura a mentes esgotadas pelo medo, a dor e o sofrimento. </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Nunca conversamos, mas os berros retumbam em sua garganta encantada e brilham de modo especial nas mãos em paz.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Antes de sair, um aperto de mão à esposa, sentada ao lado do marido:</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>- Meus pêsames. </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>- Obrigada. Quem é você?</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>- Sou um dos rebentos do homem! – e disse meu nome e sobrenome.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Seus olhos ficam brevemente um pouco mais abertos, como se sua alma tivesse rapidamente inflado e extravasado por um cintilo do olhar:</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>- Jura?!&#8230; Nossa&#8230; Mas como ele tinha orgulho de ter trazido vocês três&#8230;</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em> </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Trouxe sim. Não conversamos, mas nos comunicamos.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Enquanto sou rebento, ele é paz, confiança, mão para apertar e amassar. Posso imaginar sua felicidade ao me ver (assim como tantos outros&#8230;) vivo e gritando. Posso imaginar seu toque em minha perna, a me pendurar de cabeça para baixo.</em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><em>Posso agora notar seu encantamento sereno. Posso acreditar que o berro inicial, de vida radiante, esteja se transfigurando nestas palavras sinceras. Posso crer que estas simples letras sejam o toque de coração e gratidão em um silêncio de sabedoria e imensidão. E assim o faço, por que não?<span>  </span></em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><span><em></em></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:center;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"><span><a href="http://narravidas.files.wordpress.com/2008/11/laurival2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-228" title="laurival2" src="http://narravidas.files.wordpress.com/2008/11/laurival2.jpg?w=490" alt="laurival2"   /></a></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;margin:0;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/225/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/225/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=225&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O elemento químico</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 15:51:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>narravidas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Wagner Hilário]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Wagner Hilário As meninas riem, lêem as notícias na tevê do metrô e brincam de super trunfo – na minha época, acho que só os meninos brincavam de super trunfo. São umas cinco. Estou curioso para ver os carros, acho que identifiquei uma Benetton do tempo do Piquet na mão de uma delas. Disfarço [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=215&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Wagner Hilário</p>
<p>As meninas riem, lêem as notícias na tevê do metrô e brincam de super trunfo – na minha época, acho que só os meninos brincavam de super trunfo. São umas cinco. Estou curioso para ver os carros, acho que identifiquei uma Benetton do tempo do Piquet na mão de uma delas. Disfarço para não ser pego na bisbilhotice. Quando percebo que me flagram, finjo que elas são apenas um tropeço da minha visão e aponto o olhar para as janelas.</p>
<p>De repente, um senhor com bastante idade, rugas até na orelha, onde há também pêlos grossos como barba, provavelmente porque os raspa, levanta-se do assento e se aproxima das meninas com cara de menino levado. Estranho a atitude e temo que seja um pedófilo perigoso, que esconde sob a senilidade uma força que só os criminosos têm. Penso no que dirá às adolescentes e afio os ouvidos para desmascarar aquele velho tarado&#8230;</p>
<p>– Vocês estão no colegial? – diz com cara de vovô carinhoso.</p>
<p>Elas pensam um pouco, talvez porque a palavra colegial lhes soe estranha; afinal de contas, há alguns anos, colegial virou “ensino médio”. Não parecem nada constrangidas com a abordagem do velhinho. A verdade é que uns três segundos de silêncio depois da pergunta, duas delas respondem.</p>
<p>– Sim, sim, estamos no colegial.</p>
<p>– Então me digam que elemento é C-H-O-P2.</p>
<p>– Péra aí&#8230; C é carbono&#8230; – diz uma.</p>
<p>– Ó é oxigênio&#8230; – diz outra, atropelada pelas vozes menos vigorosas das colegas. – Espera! P&#8230;</p>
<p>– H é hidrogênio – mais uma mostrando conhecimento.</p>
<p>– Posso falar? – interrompe a assembléia química o velhinho.</p>
<p>– Pode – diz a mais preguiçosa da turma, que não havia identificado elemento nenhum.</p>
<p>– C-H-O-P2 é chopp.</p>
<p>As meninas explodem numa sincera gargalhada e batem palmas sem nenhuma vergonha para o bom velhinho, que pede silêncio enquanto ri constrangido pela homenagem em público que as jovens prestam à sua simpatia. Em seguida as portas do metrô se abrem, ele se despede e vai embora.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/narravidas.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/narravidas.wordpress.com/215/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=narravidas.wordpress.com&amp;blog=1209641&amp;post=215&amp;subd=narravidas&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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