Por ANA PAULA DO REGO

O ponto alto do culto carismático é a pregação do Evangelho, do qual um membro do grupo de oração ou uma pessoa de outro grupo que é convidada lê uma passagem da bíblia e a comenta, nesse dia ela é a pessoa mais importante do culto, pois ela vai ministrar a palavra de Deus. Antes de começar, todos estendem seus braços direitos em direção a ela que já está no altar e rezam um Pai Nosso e uma Ave Maria.

— A palavra é muito forte. Você sente a presença de Deus, por que você está testemunhando ele, você quer falar, as palavras vem na sua boca, não dá para explicar. Parece que Deus está sorrindo pra você. Quando você termina, parece que Deus fala ‘Você falou de mim, agora você terá sua recompensa’, e todas as vezes que eu fiz o evangelho coisas maravilhosas aconteceram na minha vida. A última vez que fiz, eu estava preocupado em como fazer o Imposto de Renda ia até levar em um escritório para fazerem pra mim, depois que terminou o evangelho eu mesmo fiz o imposto em 2 horas. Aquele que está em comunhão com Deus é benção sobre benção. – Reinaldo diz entusiasmado.

A vela se apaga

A única vela acesa dentro da igreja se apaga, talvez pelo vento daquela noite fria ou anunciando divinamente que o culto já devia estar no fim e coincidentemente estava. Evangelho feito, emoções exaltadas, Espírito Santo presente, bênçãos adquiridas, sensações a flor da pele, cantos entoados, um momento único de recados internos da comunidade.

Todos formam um círculo e de mãos dadas rezam novamente o Pai Nosso e uma Ave Maria, no meio, uma caixa de sapato encapada com um papel colorido e com uma etiqueta dizendo “Pedidos de Oração”, nela as pessoas depositam papéis com os seus pedidos, que são queimados após o culto.
As pessoas se abraçam.

— A Paz de Jesus – abraçando as pessoas, Reinaldo diz sorridente.
As pessoas que entraram pesadas, com problemas saem livres, despreocupadas, o culto terminara, mas a fé se renovou em cada uma das pessoas que se encontram ali naquelas quase duas horas de fervor.

Elas sorriem, “Seu” Reinaldo cumprimenta as pessoas e seu semblante parece mais sereno, mais alegre e menos cansado.

Os músicos tocam, as pessoas conversam, é uma ótima oportunidade para colocarem em prática o que acabaram de sentir, a paz e a bondade, nessa hora seu Reinaldo conversa com uma senhora e dá a ela R$ 10,00, que a mesma aceita discretamente.

— Eu ajudo ela sabe, ela não tem aposentadoria e às vezes só tem o dinheiro que ganha no bingo, ela cria uma netinha. Eu tenho dó, sabe, e Deus tem me dado muito.
Cada qual segue sua vida agora, a senhora que outrora chorava e que ali viera pela primeira vez sai feliz dizendo que vai voltar.

— Vou voltar sim, eu gostei muito – diz empolgada.

Seu Reinaldo vai chegar em casa, aguardar os filhos chegarem também, mas sabe que até a próxima quinta-feira e pra sempre estará em comunhão com Ele, pois como diz constantemente “Deus é revelador”.

Somente quem assiste a uma celebração como essa, sabe. É confortante saber que no meio dessa selva em que vivemos, no meio desse emaranhado de problemas e conflitos, existem grupos que acreditam, que pregam a paz, e para eles não importa que a maioria dos padres não aceite essa divisão do catolicismo, ou que as pessoas não acreditem nos milagres que adquirem, para eles o importante é a renovação espiritual e a certeza de que em poucas horas estiveram na presença de Deus.

*Veja a primeira parte dessa história aqui.
Veja a segunda parte dessa história aqui.

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